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Com o colapso às portas : procurando a reaçom no tempo de desconto

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Antom Santos | Lugo, 6 de xuño.  Em 1972 saía a lume o primeiro dos informes ao Clube de Roma, Os limites do crescimento; com as ferramentas teóricas mais avançadas da altura e modelos preditivos matemáticos, vários especialistas advertiam: “o crescimento exponencial da populaçom e o capital conduzem a um colapso”. Tratava-se dum exagero? Em 2018, com registos de quecimento climático inauditos e com o sobardamento do pico do petróleo reconhecido mesmo pola Agência Mundial da Energia, a comunidade científica fala de ponto de nom retorno de consequências imprevisíveis. Entre o autismo dos mais e o activismo duns poucos, também a Galiza tem que afrontar um cámbio de época que traerá enormes desafios.

Lembra Jorge Riechmann, um dos filósofos que com mais insistência predica no deserto sobre a necessidade de enfrentar-se a umha crise civilizatória, o que acontecia na Alemanha nazi ou na Argentina da ditadura militar a olhos do cidadao médio: “nom acontecia nada”. Na verdade sucediam muitíssimas cousas, mormente terríveis, mas polos curiosos efeitos do egoísmo adaptativo, a ignoráncia voluntária que o ser humano mostra em situaçons críticas fai possível viver o dramático como banal. Podemos estabelecer um paralelismo ilustrativo entre a abúlia das sociedades submetidas a tiranias e o silêncio compracente com que o mundo occidental habita nos últimos estertores dum modelo esgotado. Zygmunt Bauman, um socialista moderado que ganhou sona por estudar a chamada sociedade líquida foi assim de claro num dos seus textos póstumos: “topamo-nos, mais do que nunca na história, numha situaçom de verdadeira disjuntiva: ou unimos as nossas maos, ou unimo-nos a umha comitiva fúnebre do nosso próprio enterro numha mesma e colossal foxa comum”.

Alguns dados e pronósticos

Se há algum dogma blindado ao debate público, esse é o do crescimento económico. Nenhuma ideia permanece mais ensombrecida pola balbúrdia mediática que aquela que enuncia um princípio simples: “é impossível um crescimento infinito num planeta finito”. Por isso, como fachendosamente expujo um alto responsável económico do Estado espanhol: “o crescimento económico está fora do debate”. Obviadas na ortodoxia neoliberal e, como muito, restritas ao exercício intelectual nalgum dos milhares de autores que povoam o campo da esquerda reformista, as teses decrescentistas partem porém dumha evidência irrebatível: as bases físicas dum mundo habitável para o ser humano miram aceleradamente desde que o industrialismo virou hegemónico.

Vários termos -por vezes complementares, por vezes em polémica- tencionam descrever um cenário sem precedentes que coloca também reptos ainda impensados. Falou-se da Grande Aceleraçom, do Antropoceno, da Longa Emergência e, no que atinge ao século que andamos, do Século da Grande Prova. Umha transiçom histórica acelerada e sem precedentes no que o uso massivo de energias fósseis fijo multiplicar por sete a populaçom humana e submeteu a biosfera a mudanças de efeitos incontroláveis.

Para além das interpretaçons de historiadores e sociólogos, a comunidade científica une-se num consenso preocupante. Em 2013, D. A. Barnosky tirava a luz um documento de alerta, Scientific-Consensus on Maintaining Humanity Life’s Support System in the 21st Century. O biólogo, valendo-se da melhor pesquisa científica disponhível, aponta “umha degradaçom substancial da vida humana no 2050 se continuarmos no vieiro actual”.

Desde a extinçom massiva dos dinossauros, a Terra nom sofreu umha perda de espécies tam acelerada como no presente; este feito, combinado com a mudança climática, a perda de ecossistemas e as necessidades dumha sobrepopulaçom debruçada sobre recursos escassos (e em grande medida poluídos) giza um horizonte crítico. Numhas poucas décadas -continua o manifesto publicado por Barnosky- “os piares básicos que sustentam a vida da Terra acharám-se irremediavelmente danados”. Menos cauto é o climatólogo da NASA James Hansen, que aponta que se está a cometer “um malvado acto de injustiça com as geraçons vindouras”. As palavras de Hansen nom passam desapercebidas e causam reaçons virulentas nos partidários de manter o statu quo: em 2005 a sua vivenda foi incendiada, e um estreito colaborador seu foi atropelado, num sucesso ainda sem esclarecer.

No que atinge ao século que andamos, o ‘Século da Grande Prova’, hai umha transiçom histórica acelerada e sem precedentes no que o uso massivo de energias fósseis fijo multiplicar por sete a populaçom humana e submeteu a biosfera a mudanças de efeitos incontroláveis.

Ao utilizamos palavras tam grossas e alviscarmos horizontes de tal transcendência, o rigor resulta umha exigência obrigada. Só a precisom permitirá achegar-nos à verdadeira dimensom que enfrentamos. O consenso estabelece-se arredor do ponto de nom retorno ou tipping point: o momento a partir do qual nada tornará a ser o mesmo; e incluso no caso mui duvidoso de a Humanidade em bloco adoptar umha mudança de rumo cara a contençom e a sobriedade num prazo curto de tempo, o cenário do caos climático e do empobrecimento do meio continuam como desafios incontornáveis.

Com claridade meridiana analisa o estado de cousas Puig Vilar, jornalista e divulgador de êxito da teoria do colapso no blogue Usted no se lo cree: “continuam a poder produzir-se duas situaçons, umha muito má, e outra arrepiante (o certo é que se me esgotam os adjectivos): a muito má, horrível, é que a brusca diminuiçom da energia neta a disposiçom comporte umha reduçom drástica e brusca da populaçom, talvez no curto prazo. (…) A situaçom arrepiante, a péssima, é que, ainda por riba, deixemos umha Terra completamente devastada a quem vam ser umha nova espécie de humanos que, trás longa e dura transiçom, rexurdirám das nossas cinzas nom se sabe quando, mas claramente longe de hoje. Para isso abondaria com que, na nossa tentativa de sobrevivência consecutiva à explossom das grandes cidades, utilizássemos a biomassa (a lenha de sempre) até o ponto de esgotá-la praticamente toda”.

Vanguarda popular, retaguarda letrada

O esgotamento das energias fósseis está a piques de marcar umha mudança radical de paradigma que obriga a repensar as bases mesmas da sociedade, desde o seu nível de consumo, até o seu potencial de mobilidade. Como tem acontecido em outros ámbitos -com o estoupido da borbulha financeira como grande paradigma- as advertências de colectivos activistas, organizaçons revolucionárias e movimentos sociais fôrom respondidas com o silêncio, quando nom com um explícito negacionismo.

O esgotamento iminente -em termos históricos- das energias fósseis é um segredo público que já fora pronosticado polas associaçons dedicadas à divulgaçom do peak oil. Em 2010, colectivos como o galego Véspera de Nada advertiam que se alcançara o teito de extracçom petroleira, isto é, que todo o petróleo extrazido a partir desse ano pertenceria à segunda parte da bolsa global disponhível. Tivérom que passar cinco anos para que a Agência Internacional da Energia reconhecesse que as cantidade total de petróleo global passara o seu equador; resta a parte mais dificilmente extrazível, menos rendível e de escassa qualidade. Seguindo o fio da explicaçom de Ferrán Puig, o petróleo dos tempos do debalar nom permite umha decolagem económica equivalente ao da era da inconsciência e do optimismo: “por razons termodinámicas e geológicas inevitáveis, o petróleo já nom tem preço bom. Se é alto demais, fica demasiada pouca fracçom do capital para a actividade económica, polo que mingua a procura e o preço baixa. A procura nom está a aumentar. Ao baixar o preço, as empresas energéticas entram em perda. Neste senso, o mercado está intervido porque os bancos finaciam generosamente as dificuldades dessas indústrias. Apesar deles saberem, acho, que nom se vam resolver mais”.

Visionar o colapso

Há anos, o pensador e militante Rodríguez Hidalgo escrevia no artigo Escenarios apocalípticos como a cultura de massas -nomeadamente o cinema- leva educado várias geraçons na familiaridade com cenários de hecatombe: guerras mundiais, fames massivas, catástrofes naturais e desfeitas ecológicas a desafiarem a sobrevivência humana nos restos dum mundo devastado. As produçons comerciais ajudárom historicamente a banalizar as realidades mais indigeríveis; neste caso, aliás de aligeirarem nas nossas mentes do peso da catástrofe, espalhárom umha visom do colapso simplista e afastada de toda complexidade.

Manuel Casal Lodeiro, de Véspera de Nada, esclarece que a ideia “dum afundimento súpeto, simultáneo e homogéneo dumha civilizaçom como a nossa é simplesmente falsa”. Mais bem teríamos que pensar que nos adentramos numha “fase de simplificaçom brusca dumha sociedade”. Baixo umha enxurrada de dados que se prestam a longuíssimas controvérsias académicas -sobretodo no que diz respeito aos prazos de esgotamento das energias fósseis a aos avanços tecnológicos que puiderem amortecer o golpe- Lodeiro chama a reparar nos sinais irrebatíveis do esfarelamento do mundo tal como o temos conhecido: o primeiro é o caos climático. “Eu nom gosto de falar em mudança climática, senom em caos climático; porque esta expressom leva em conta que, antes de se estabelecer no globo uns patrons meteorológicos alternativos, adentramo-nos num vieiro de imprevisibilidade e inestabilidade extremas”.

Para além dum quecimento global de 1,5º no que resta de século (limiar mínimo que nem os assinantes do Tratado de Paris som quem de garantir) abre-se um cenário de descontrolo “que vai atingir a produçom agrária, a pesca, os microorganismos, as doenças humanas e animais”.

Um outro sinal refere-se aos sintomas de disfunçons sociais e económicas que nas duas últimas décadas se patenteiam em muitos pontos do planeta. Conflitos bélicos, fim do mundo unipolar ou processos secessionistas estám fundamente ligados ao fim da era do petróleo barato e a certo descontrolo das forças naturais. “Só podemos compreender o colapso se consideramos que se está a produzir por sectores e por bairros”. Até agora, por darmos um exemplo familar, problemas específicos do campo entendiam-se reptos privativos de cada sector, que diferentes especialistas e corporaçons teriam que ser quem de resolver. Mas que acontece se ligamos a desfeita incendiária da Galiza com os anegamentos no Reino Unido, ou com a perda quase total da produçom da castanha italiana por efeitos da avespinha do castinheiro? Na realidade, som manifestaçons dum idêntico problema que “só umha visom fragmentária entende como dissociados”, diz-nos Lodeiro.

“Só podemos compreender o colapso se consideramos que se está a produzir por sectores e por bairros”, diz Lodeiro. Mas que acontece se ligamos a desfeita incendiária da Galiza com os anegamentos no Reino Unido, ou com a perda quase total da produçom da castanha italiana por efeitos da avespinha do castinheiro?

Do mesmo modo, se o colapso se manifesta especificamente em sectores diferenciados, também o fará com condiçons particulares dependentes dos contextos nacionais e geopolíticos. Eis a ideia do “colapso por bairros”: Quer dizer, que existirám “zonas do planeta que manterám mais estabilidade, recursos energéticos e financeiros, enquanto outras ficarám à intempérie, desabastecidas de combustível e em dinámicas de pura sobrevivência”, indica Loderio. O mesmo se pode dizer das classes sociais, com o aumento progressivo de faixas da populaçom directamente excluídas do processo produtivo, ou submetidas a condiçons de vida que críamos extintas no século XIX.

Negaçom e bloqueio

Todos os divulgadores da realidade que se avizinha topam-se, de maneira invariável, com umha resposta: a negaçom. Independentemente da filiaçom direitista ou esquerdista do auditório, do nível cultural do interlocutor ou das suas convicçons religiosas, a oposiçom frontal domina. James Howard Kunstler, um dos estudiosos do peak oil mais temperám, testou este comportamento em Norte América e explicou-no em chaves psicológicas como dissonáncia cognitiva. Ante reptos de enorme magnitude que desafiam a nossa capacidade ordinária de concepçom e planificaçom do futuro, as estratégias inibitórias adoitam ser as preferidas polos mais. Eis o papel de recursos como a distraçom, a compracência, as falsas ilusons e a indulgência moral com os nossos próprios comportamentos.

Claro que a atonia social na que habitamos nom se compreende apenas levando em conta mecanismos psicológicos espontáneos de tipo compensatório. Umha vasta engrenagem de minimizaçom da crise leva décadas amortecendo o xurdimento dumha consciência radical. Em 1988, funda-se a instáncias da direita republicana estadounidense o Panel Intergovernamental sobre Mudança Climática. Na altura, Bush tencionava desactivar o discurso alarmante da maioria da comunidade científica; na actualidade, com a assunçom massiva de termos rebassado tipping point, o objectivo é pôr panos quentes e ensombrecer a dimensom do problema. O IPCC nom realiza actividades de pesquisa, senom que escolma a produçom científica mundial sobre a questom editada cada ano para a divulgar entre governos e populaçom. Porém, o feito de que exista o direito a veto supom que o resumo deve de ser aprovado por todos os Estados do planeta e nom objectado por nenhum científico líder. Daí que as conclusons anuais do IPCC, único documento sobre mudança climática oferecido ao grande público, resultarem sempre aguadas, por utilizarmos as palavras dum observador crítico.

Ainda podemos avançar um chanço, e irmos do cepticismo à aberta negaçom. Embora é sabido que apenas um 3% da comunidade científica póm realmente em causa a mudança climática, a sua transcendência pública é com muito maior aquela que defende as que podemos considerar teses da emergência. Para dar umha ideia da capacidade de incidência deste bloco, apesar de constituir umha manifesta minoria, podemos levar em conta o entramado negacionista artelhado por volta de Donald Trump e a extrema direita norteamericana: departamentos universitários ligados ao lobby das energias fósseis, sectas cristás integristas, grandes meios de comunicaçom. Em conjunto, livram umha agressiva campanha de marketing que inclui intervençom nos programas educativos infantis, anúncios negacionistas em jornais de grande tiragem, e ocultaçom governamental de informes críticos.

James Howard Kunstler explicou-no em chaves psicológicas. Ante reptos de enorme magnitude que desafiam a nossa capacidade ordinária de concepçom e planificaçom do futuro, as estratégias inibitórias adoitam ser as preferidas polos mais.

Como nom podia ser de outra maneira, o negacionismo tem também umha versom hispana. Com o tom entre burlesco e prepotente que caracteriza esta corrente -ou quanto menos os seus gestores políticos- Rafael Hernando manifestava no congresso dos deputados que “levava 26 anos esperando a mudança climática”. O político direitista comparava as previsons eco-comunistas sobre o colapso ambiental “com as profecias maias sobre o fim do mundo em 2012”. Estas posiçons volvêrom à tona num debate parlamentar recente sobre a Lei de Costas; o governo do PP omitiu um apartado sobre a provável suba do nível dos mares que, entre outras cousas alimentava a possibilidade de a Galiza ter as competências de costas para melhor afrontar catástrofes relacionadas com o descontrolo das forças naturais. Levando em conta estas posiçons, nom é surprendente que o Estado espanhol se ache muito longe de cumprir os compromissos que assinou com a Uniom Europeia sobre reduçom de emisons de CO2, e que tenhem em 2020 o seu prazo limite.

Decrescimento na Galiza

Ao longo do ano 2011, a Escola Popular Galega organizara um ciclo de palestras com a legenda: Decrescimento. Alternativa revolucionária ou escapismo?. Era a primeira ocasiom que se cenificava no nosso país o choque entre a visom clássica da esquerda do movimento obreiro e a nova proposta (que na realidade nascera na França muitos anos antes). No formato de debate a dous, centros sociais do país acolheram o enfrentamento dialéctico entre dous pontos de vista que divergiam em aspectos essenciais. Há oito anos, com a consciência da crise de modelo civilizatório muito menos espalhada do que hoje, os dados oferecidos polo movimento decrescentista eram acolhidos com certa distáncia e estranheza, mesmo em ambientes activistas.

Hoje, com as luzes de alarma acesas em instáncias científicas estatais ou para-estatais, as informaçons objectivas fornecidas por colectivos como Véspera de Nada acolhem-se com mais receptividade e menos mofa. Restam, porém, grandes dúvidas por despejar. Em tradiçons militantes como o independentismo ou o comunismo, associa-se a proposta decrescentista com um produto dum feixe de especialistas de classe média, afastados da briga sócio-política nas ruas, e permanentemente absorvidos na elaboraçom de informes exaustivos em blogues e plataformas virtuais. Como muito, o decrescentista tipo daria o passo ao cultivo dumha horta ou ao ensaio de formas de vida menos agressivas com o meio, mas sem que isso cristalizasse num programa com vocaçom de massas, e muito menos no enfrentamento com o poder.

Também o recebimento das teses decrescentistas na esquerda institucional é, quanto menos, tépeda. Casal Lodeiro afirma que há certo eco, mas limitado: “podemos considerar que na Galiza há um deputado decrescentista, que é Antón Sánchez, de En Marea, que ademais é labrego. Ora, nom se pode dizer que as suas teses sejam as maioritárias, nem absolutamente partilhadas”. A nova esquerda moderada nascida da crise das finanças arela a captaçom desse voto massivo ‘de centro’ que fugiria arrepiado de qualquer proposta de limitaçom radical do consumismo; quanto ao nacionalismo do BNG, e apesar das vozes críticas do ecologismo afim, segue preso a importantes concessons ao progressismo dominante: com motivo da recente chegada de Pedro Sánchez à Moncloa, reclamava o cumprimento na construçom do AVE na Galiza, num apoio explícito a um modelo de transporte esbanjador e insostível que até o ambientalismo mais tímido tem criticado.

A inconcreçom política decrescentista é um traço certo, e em certa medida procurado: para alguns sectores, o decrescentismo é um plano de auto-contençom baseado no retorno à vida simples, um somatório de milhares de mudanças individuais que haveria de replantejar a sociedade por completo; para outros, um decálogo de sugestons de sentido comum que os poderes mundiais, chegado um ponto crítico evidente, teriam que fazer seu para salvar-nos; e ainda para outros, como os representados pola “ecologia profunda” no mundo anglosaxom, umha oportunidade de ouro para concluirmos que o ser humano deve deixar de ser a espécie reinante sobre a Terra ; por palavras do colectivo Dark Mountain Project, “nom há nengumha Terra que salvar, a Terra vai-se salvar ela sozinha; o que está em causa, pola nossa açom, é a nossa sobrevivência como humanos na maneira que a vinhamos plantejando nos últimos séculos”.

Seja como for, a Galiza é um país rico em pensamento, e o campo decrescentista também recebeu notáveis achegas autóctones. Para além da citada sistematizaçom de dados sobre a crise energética de Véspera de Nada, e de científicos como Xoán Doldán, Carlos Taibo tem irrompido como autor dumha ambiciosa tentativa de encaixar o decrescentismo com as teses libertárias.

Ponhendo em causa o papel central que categorias como o consumo ou o trabalho assalariado tenhem jogado na tradiçom do movimento obreiro -nomeadamente o social-democrata desde a II posguerra mundial-, o pensador galego vencelha a possível ligaçom de ideias de sobriedade com autonomia local e poderes descentralizados. Num sentido semelhante tenhem espalhado as suas ideias colectivos galeguistas e independentistas como o Partido da Terra ou a Agrupaçom de Montanha Augas Limpas.

“No actual território galego, incluindo o Berzo e o Návia-Eu, um conjunto que conforma umha biorregiom, dam-se possibilidades de produçom local diversa e racional que som um privilégio”, afirma Miguel Anxo Abraira.

É provável que muitas dúvidas e inconcreçons se resolvam nos meses vindouros. Miguel Anxo Abraira, um dos promotores da Rede do Decrescimento Galiza-Návia-Eu-O Berzo, trabalha também na organizaçom do I Congresso do Decrescimento, que se celebrará no mês de Outubro em Ferrol. A ideia é convocar todas as vozes e sectores dispostos a concretizar passos para já, num sentido prático, na direçom dumha Galiza post-fossilista e dotada de ferramentas para enfrontar situaçons de crise climática ou desabastecimento, Por enquanto, a iniciativa está a apresentar-se em centros sociais e locais vicinais, e os documentos do encontro espalham-se em listas de correios electrónicos. “Pretendemos lançar a ideia da maneira mais transversal possível, pois acreditamos em que, no contexto que imos viver, ou nos salvamos todos, ou nom se salva ninguém”. O aproveitamento do potencial da tradiçom produtiva galega, e da nossa base ambiental e geográfica, vai ser umha das ideias força : “no actual território galego, incluindo o Berzo e o Návia-Eu, um conjunto que conforma umha biorregiom, dam-se possibilidades de produçom local diversa e racional que som um privilégio”, afirmou Abraira numha palestra recente em Lugo; “cumpriria livrarmo-nos de algumha das teses tradicionais do atraso, que defendiam que tínhamos que deitar ao lixo algumhas práticas produtivas do nosso povo; o tempo demonstra que na Galiza se acumulara um imenso património popular de gestom do território, como o consumo mínimo, a reciclagem, ou o tam deostado minifúndio”.

Ilusons e sentido

Dum modo ou outro, o mito do crescimento perpétuo dá os seus últimos estertores; a reacçom social a esta evidência -segundo alguns sociólogos- pode ser a “ira”, umha das fases psicológicas dos processos de dó; e nesta ira incluem os especialistas algumhas manifestaçons da regressom política, como o auge da extrema direita, a violência social anómica, ou a aposta suicida polo consumismo a todo transe. Como graficamente o tem exposto Jorge Reichmann, “imaginamo-nos com mais facilidade o fim do mundo que o fim dos smartphones“. Quem pretenda erguer um discurso alternativo, em chaves emancipadoras, tem diante de si a dificilíssima tarefa de dar esperança neste comboio que marcha sem freos cara um colapso de dimensons ainda imprevisíveis. Mas fica claro que só erguendo um mito de equivalente força mobilizadora à exitosa ilusom capitalista poderemos afrontar a grande prova.

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