“O planeta Terra é basicamente o Planeta Granxa nestes momentos”

ENTREVISTA | Rob Wallace

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Yaak Pabst | Abril 2020 em Marx21 (traduzido ao galego para Galiza livre por Helena Salgueiro). Autor do aclamado Big farms make big flue, Rob Wallace é um cientista norteamericano que tem estudado os efeitos da gadaria industrial na expansom de vírus; como um dos autores que aponta à responsabilidade do produtivismo capitalista na emergência que vivemos, consideramos de especial interesse esta entrevista, que traduzimos do inglês. No início deste mês, publicou um artigo na Monthly Review com outros autores, no qual afirmam que “enquanto o interesse público é divulgado nos portões das explotações agrícolas ou das fábricas de alimentos, os agentes patogénicos estão a espalhar-se para além da biossegurança pela qual a indústria está disposta a pagar”.

Até que ponto é perigoso o coronavirus?

Depende do momento em que um se topar localmente no brote: no primeiro estádio, no ponto álgido, na queda da curva? Dá umha boa resposta a tua sanidade pública? Qual é a demografia da tua regiom? E a tua idade? Estás comprometida imunologicamente? Qual é a tua saúde subjazente? Adscreve-se a tua imunogenética -a genética que reforça a tua resposta imunológica – com o vírus, ou nom se adscreve?

Entom toda esta lea com o vírus é apenas política do medo?

Nom, em absoluto. Populacionalmente, o covid-19 situa-se entre um 2 e um 4% na taxa de letalidade (TL) no início do brote no Wuhan. Fora do Wuhan, a TL semelha decrescer até um 1% ou menos, mas também semelha acentuar-se aqui e acolá, incluindo áreas da Itália e dos Estados Unidos…o seu rango nom é muito se o compararmos, por exemplo, com o 10% do SARS1, o 5-20% da gripe de 1918, o 60% da gripe aviar, o 90% nalguns momentos do Ébola. Certamente, supera o rango 0.1% da gripe comum. Cumpre copar o que se denomia penetráncia genética ou taxa de ataque á comunidade: a percentagem da populaçom global que se vê penetrada polo virus, que contrai o vírus.

Poderia ser mais específico?

A trajectória global é dumha conectividade sem precedentes. Sem vacinas ou antivirais específicos para coronavírus, nem imunidade massificada para o vírus polo momento, mesmo só umha pressom dum ínfimo 1% pode ser um perigo considerável. Com um período de incubaçom de até duas semanas e umha evidência crescente de transmisom da doença antes de sabermos se a gente está infectada, apenas uns quantos lugares vam ficar livres de contágio. Se por exemplo o Covid-19 regista um 1% de fatalidade no curso da infecçom de 4000 milhons de pessoas, isso som 40 milhons de falecimentos. Umha proporçom pequena dum número alto continua a ser um número alto.

Som números alarmantes para um patógeno ostensivelmente pouco virulento…

Som, e estamos apenas no início do brote. Cumpre entender que muitas novas infecçons mudam no curso dumha pandemia. Infectividade, virulência ou ambas as duas podem atenuar-se. Por outra parte, a virulência pode aumentar em outros brotes. Na primeira vaga pandémica da gripe na primavera de 1918, esta era, relativamente, umha infecçom leve. Foram a segunda e a terceira vaga nesse inverno, e em 1919, as que mataram milhons.

Mas as cépticas da pandemia arguem que muito pouca gente se infecta ou falece, em comparaçom com a gripe comum. Qual é a sua opiniom?

Eu seria o primeiro em celebrar se esse brote fica em nada. Mas estes esforços por minguair os potenciais perigos do Covid-19 citando outras doenças mortais, nomeadamente a gripe, é um instrumento retórico para deslocar a preocupaçom sobre o coronavírus a um lugar errado.

Entom compará-lo com a gripe é um erro

Nom fai sentido comparar diferentes patógenos e em diferentes partes das suas epicurvas. Si, a gripe comum mata milhons de pessoas arredor do globo, até 650000 ao ano. covid-19, porém, está apenas a começar o seu trajecto epidemiológico. E, ao contrário do que a gripe, nom há vacina nem imunidade massificada para enfrear a infecçom e proteger a populaçom mais vulnerável.

“A virulência pode aumentar em outros brotes. Na primeira vaga pandémica da gripe na primavera de 1918, esta era, relativamente, umha infecçom leve. Foram a segunda e a terceira vaga nesse inverno, e em 1919, as que mataram milhons.”

Ainda que a comparaçom for enganosa, ambas as doenças pertencem a um grupo específico de vírus, RNA vírus. Ambos os dous provocam infecçom, ambos os dous afectam à àrea da gorja e da boca, e por vezes aos pulmons, ambos os dous som bem contagiosos.

Som semelhanças superficiais que falseiam umha parte crítica na comparaçom das doenças. Conhecemos as dinámicas da gripe. Sabemos muito pouco do Covid-19. Estamos envurulhadas de incógnitas. De facto, há muito sobre o covid-19 que nos vai ser desconhecido até o brote nom se espalhar e desenvolver completamente. Ao mesmo tempo, cumpre entender que nom se trata de covid-19 versus gripe. É covid-19 e mais gripe. A emergência de múltiplas infecçons capazes de virarem pandémicas, a atacarem a populaçom em combos, devesse ser a preocupaçom principal.

Estivo a pesquisar sobre epidemias e as suas causas por anos a fio. No seu livro Big Farms Make Big Flu, tenciona assinalar as conexons práticas entre a gadaria indutrial, a agricultura orgánica e a epidemiologia viral. Qual é a sua conclusom?

O perigo real de cada novo brote é a negativa, ou melhor dizendo, o rejeitamento a aceitar que cada novo Covid nom é um incidente isolado. A crescente expansom de vírus liga-se intimamente com a produçom alimentar e o lucro das corporaçons multinacionais. Qualquera um que pretenda entender porque os vírus viram cada vez mais perigosos deve investigar o modelo industrial de agricultura e, especificamente, a gadaria industrial. Na actualidade, muito poucos governos, muito poucas cientistas, estám prontas para fazê-lo. De facto, todo o contrário. Ao abrolharem os novos brotes, os governos, os meios de comunicaçom e a maioria do “establishment” médico focalizam a sua atençom em cada emergência em concreto e descuidam as causas estruturais que conduzem múltiplos pátogenos marginais a fazerem-se celebridades repentinas, umha e outra vez.

De quem é a culpa?

Já dixem que da agricultura industrial, mas a situaçom é mais complexa. O capitalismo está a invadir a ponta de pistola até o último dos bosques primários, e a pressionar à pequena labrega em todo o mundo. Estes investimentos e este “desenvolvimento” ocasionam deflorestaçom e emergências sanitárias. A diversidade funcional e a complexidade que estas enormes extensons de terra representam estám a ser tam desatendidas que o que eram patógenos engaiolados agora estám a espalhar-se em gado local e comunidades humanas. Em resumo, capitais como Londres, Nova Iorque, Hong-Kong deveriam ser consideradas como principais focos.

Rob Wallace, durante uma entrevista para ‘Alliance For Democracy’ em YouTube.

Para que doenças?
Nom há nenhuma cidade livre de patógenos. Mesmo as mais remotas estám atingidas. Ébola, Zika, os coronavírus, a gripe amarela de novo, umha variedade de gripes aviares, peste porcina africana som alguns dos muitos patógenos que se estám a deslocar dos mais remotos países subdesenvolvidos até aos peri-urbanos, capitais regionais, e daí à urbe global na sua totalidade. Desde morcegos da froita do Congo, até rematar matando turistas que tomam o sol em Miami no espaço dumhas semanas.

Qual é o papel das companhias multinacionais neste processo?

O planeta Terra é basicamente o Planeta Granxa nestes momentos, quer em biomassa quer em território utilizado. A indústria agropecuária está tencionando acurralar o mercado alimentar. A quase totalidade do projecto neoliberal está organizado por volta do esfoço colectivo de empresas localizadas nos países mais avançados industrialmente para roubar a terra e os recursos dos países mais fracos. Como resultado, muitos destes patógenos -que estavam previamente coutados em ecologias muito evolucionadas – agora estám a espareger- se, ameaçando o planeta.

Que efeitos tenhem nisto os métodos da indústria agropecuária?

A agricultura capitalizada que substitui ecossistemas mais naturais possibilita as condiçons para os patógenos poderem convertir-se em fenótipos do mais infeccioso e virulento. Nom poderias desenhar um melhor caldo de cultivo para criares doenças mortais.

E logo?

Criar monocultivos genéticos de animais domésticos elimina qualquer jeito de catalizador imunológico que puider existir para frear a transmisom. Umha populaçom densa e elevada facilita uns índices maiores de transmisom. Estas condiçons reprimem a resposta imunológica. Um alto rendimento, comum a qualquer tipo de produçom industrial, fornece o combustível para a evoluçom da virulência. Por outras palavras, a indústria agropecuária está tam centrada em obter lucros que o facto de estender um vírus que puider matar milhons de pessoas vê-se com um risco que paga a pena.

“A quase totalidade do projecto neoliberal está organizado por volta do esfoço colectivo de empresas localizadas nos países mais avançados industrialmente para roubar a terra e os recursos dos países mais fracos. Como resultado, muitos destes patógenos estám a espareger- se, ameaçando o planeta.”

Que quer dizer?

Estas empresas, simplesmente, externalizam o custo das suas acçons, epidemiologicamente perigosas, no resto. Desde animais, até consumidoras, granxeiras, passando polo contorno local, até atravessar as jurisdiçons dos governos. Os danos som tam extensos que se tentássemos recuperar esses custos do balanço empresarial, a indústria agropecuária tal como a conhecemos estaria acabada para asempre. Nom seria possível para nenhuma empresa recuperar- se dos gastos que ela mesma ocasiona.

Em muitos meios de cominaçom disse que o detonante deste coronavirus foi um mercado exótico no Wuham. É isto certo?

Sim e nom. Há fatores espaciais que favorecem esta noçom. A pesquisa relacional vinculou as infecçons ao Mercado Grossista de Frutos do Mar do Huanan, no Wuham, onde se comerciava com animais selvagens. Semelha que, em efeito, a sondagem ambiental chega até a parte oeste do mercado, onde havia animais selvagens em cativeiro.

Mas quanto podemos retroceder e como de ampla deveria ser a nossa pesquisa?

Quando começou a emergência realmente? Centrar-se nesse mercado impede ver as origens da agricultura selvagem na hinterlândia e a sua crescente capitalizaçom. Em termos globais, e na China, a comida selvagem está a consolidar-se como um sector económico. Mas a sua relaçom coa agricultura industrial vai além de meter o dinheiro no mesmo peto. A produçom industrial –porcos, aves e afins– abrange já as florestas primárias, pressiona os operadores vinculados cos alimentos silvestres a aprofundar mais ainda na floresta para atingir mais colónias aumentando a interaccom com, e os efeitos colaterais consequentes de, novos patógenos como o covid-19.

O covid-19 nom é o primeiro vírus a desenvolver-se na China que o governo tentou ocultar.

Sim, mas nom é umha excepcionalidade chinesa, ainda assim. Os EUA e Europa servírom como zonas de impacto para novas gripes, recentemente H5N2 e H5Nx, e as suas multinacionais e delegadas neocoloniais desviárom a atencom cara o Ébola na África do Oeste e cara o Zika no Brasil. As autoridades da saúde pública nos Estados Unidos encobrírom a indústria agropecuária durante os brotes do H1N1 (2009) e o H5N2.

A Organizacom Mundial da Saúde (OMS) tem declarado a “emergência sanitária de calibre internacional”. É esta medida correta?

Sim. O perigo deste patógeno é que as autoridades sanitárias nom podem manejar a distribuiçom estatística dos riscos. Nom temos ideia de como o patógeno pode responder. Passamos dumha infecçom num mercado a infeccons espalhadas polo mundo adiante em questom de semanas. O patógeno poderia simplesmente desaparecer. Isso seria genial. Mas nom o sabemos. Umha melhor preparacom poderia melhorar as nossas probabilidades de diminuir a velocidade de escapatória do patógeno. A declaraçom de OMS também forma parte do que eu chamo um teatro da pandémia. Organizacons internacionais fracassárom por causa da inaçom. A Liga da Naçons vem-me à mente. As organizaçons da ONU sempre estám a preocupar-se da sua relevância, do seu poder e financiamento. Mas esse jeito de agir só pode convergir para a atual preparaçom e prevençom que o mundo necessita para interromper as cadeias de transmissom do covid-19.

A reestruturaçom liberal do sistema sanitário empiorou tanto a investigacom como o cuidado das pacientes, por exemplo, em hospitais. Que diferença suporia umha melhor inversom na sanidade para lutar contra o vírus?

Existe umha terrível, mas certa, história dum empregado dumha empresa de equipos médicos de Miami que, depois de voltar da China com sintomas gripais, tomou a boa decisom para coa sua família e a sua comunidade de solicitar o teste do covid-19 num hospital local. Preocupava-lhe que o seu programa mínimo do Obamacare nom cobrisse os testes. Estava no certo. Agora tinha umha dívida de 3.700 dólares. É urgente umha demanda nos Estados Unidos que estipule que, durante um brote pandémico, todos os gastos médicos excepcionais e relacionados com o teste de infecçom e com o tratamento, umha vez este teste dê positivo, deveriam ser cobertos polo governo federal. Queremos dar azos à gente para procurar ajuda, no canto de esconder-se, e infectar outras pessoas, porque nom podem pagar o tratamento. A soluçom óbvia é umha sanidade pública nacional –provista do pessoal e equipamento suficiente para manejar este tipo de emergências– para que um problema tam ridículo como desencorajar a cooperaçom comunitária nunca tenha lugar.

Umha vez o vírus aparece num país, todos os governos reagem com medidas punitivas e autoritárias, como a quarentena obrigatória de grandes territórios e cidades. Estám justificadas estas medidas tam drásticas?

Usar um brote epidémico como escusa para testar um potencial controlo autocrático post-crise é indicativo dum capitalismo selvagem perdendo totalmente o rumo. Em termos sanitários, pessoalmente inclinar-me-ia pola confiança e a compaixom, que som importantes variáveis epidemiológicas. Sem elas, a jurisdiçom perde o apoio da populaçom. Um senso de solidariedade e respeito comum é crucial para conseguir a cooperaçom que precisamos para sobrevivermos juntas. Um confinamento coa ajuda apropriada por parte de brigadas vizinhais, caminhons de comida indo de porta em porta, liberaçom do trabalho e seguro para as desempregadas, podem ajudar esse tipo de cooperaçom de que estamos todas juntas nisto.

“A autonomia da agricultura local e um sector público potente podem controlar as catracas ambientais e conter as infecçons.”

Como já saberá, o partido Nazi de facto que existe na Alemanha (AfD) tem 94 assentos no parlamento. A ultradireita nazi e outras agrupaçons, em asociaçom com as políticas do AfD, usam a crise do coronavirus para gerar agitaçom. Espalham (falsa) informaçom sobre o vírus e demandam medidas mais autoritárias por parte do governo central: restringir voos e proibir a entrada a imigrantes, peche de fronteiras e confinamento forçado…

O peche de fronteiras e as restriçons para viajar som demandas com as que a direita radical deseja racializar o que som agora enfermidades globais. Isto é, obviamente, um disparate. Neste ponto, quando o vírus já se está a fazer passo por todo o mundo, o sensato seria desenvolver um tipo de resiliência sanitária pública na que, sem importar quem presenta a infeccom, tenhamos os recursos para tratar e curar as pacientes. Certamente, se primeiramente parássemos de roubar-lhe a terra à gente e provocar êxodos, poderíamos ter evitado a apariçom de patógenos.

Qual seria um câmbio sustentável?

Co objeto de reduzir o surgimento de novos brotes, a produçom de alimentos deve cambiar drasticamente. A autonomia da agricultura local e um sector público potente podem controlar as catracas ambientais e conter as infecçons. Introduzir variedades de cultivo e subministro –junto com resilvestracom estratégica– nos níveis agrícola e regional. Ligar dum jeito simples a produçom com a circulaçom. Subvencionar tanto a queda dos preços quanto programas de compras ao consumidor que apoiem da produçom agroecológica. Defender estas práticas fronte a coerçom que as economias neoliberais imponhem ao indivíduo e às comunidades e fronte a ameaça dumha repressom estatal guiada apenas polo lucro.

Como deveria responder o socialismo fronte as crescentes dinâmicas de brotes virais?

O agronegócio, como jeito de reproduçom social, deve desaparecer dumha vez, já só por motivos de saúde pública. A produçom de alimento altamente capitalizada depende de práticas que comprometem e ameaçam a totalidade da populaçom, neste caso concreto, propiciando a propagaçom dumha pandemia mortal. Cumpre demandar a socializaçom dos sistemas alimentares de jeito que se evite que estes patógenos apareçam em primeiro lugar. Isto exigirá a reintegraçom da produçom de alimentos às necessidades das comunidades rurais, primeiramente. Também requereria práticas agroecológicas que protejam o meio ambiente e as nossas agricultoras. Em última instância, precisamos sandar as fendas metabólicas que arredam as ecologias das nossas economias. Ao fim é o nosso planeta o que está em jogo.

As preguntas fôrom realizadas por Yaak Pabst para a revista alemá Marx21. Traduzido ao galego para Galiza livre por Helena Salgueiro da versom em inglês. Podes lê-la aqui: https://www.marx21.de/coronavirus-agribusiness-would-risk-millions-of-deaths/

Notas da traduccom ao galego: Há termos específicos que nom aparecem em dicionários do inglés ou do galego, mas som pertinentes pois aparecem em contextos científicos e que a tradutora creu oportuno conservar.

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O entrevistado

Rob Wallace

Rob Wallace

Epidemiologista evolutivo e geógrafo da saúde pública, vive em St. Paul, Minnesota, onde é professor visitante do Instituto de Estudos Globais da Universidade do Minnesota e empregado de um snack-bar. Foi consultor da FAO de 2007 a 2010. Ele é o autor de Big Farms Make Big Flue (2016).

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Outras entrevistas

O entrevistado

Rob Wallace

Rob Wallace

Epidemiologista evolutivo e geógrafo da saúde pública, vive em St. Paul, Minnesota, onde é professor visitante do Instituto de Estudos Globais da Universidade do Minnesota e empregado de um snack-bar. Foi consultor da FAO de 2007 a 2010. Ele é o autor de Big Farms Make Big Flue (2016).

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